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Whindersson expôs o que muita gente ainda esconde.

Em terra de cego, quem tem olho é rei.

A recente reportagem da Rede Globo com o comediante Whindersson Nunes trouxe à tona um tema urgente e, muitas vezes, negligenciado: o papel fundamental da avaliação neuropsicológica no reconhecimento de altas habilidades e no cuidado profundo com o sofrimento psíquico.

Durante sua internação para tratar o alcoolismo, Whindersson descobriu que é uma pessoa com superdotação. Essa revelação só foi possível graças ao olhar clínico e refinado da neuropsicóloga Carolina Mattos, que identificou, por trás de anos de dor emocional e comportamentos autodestrutivos, um funcionamento cognitivo diferenciado e, até então, invisível. Cabe aqui uma curiosidade muito interessante: Carolina, a neuropsicóloga que desvendou este mistério, conhece bem as características avaliadas pois revelou ter o mesmo perfil do avaliado, o que ela mesma disse que fez toda a diferença em sua percepção profissional.

Esse caso escancara o que muitos profissionais de saúde mental ainda relutam em enxergar: nem todo sofrimento psíquico é sinal de transtorno. Às vezes, é apenas a expressão de uma mente extraordinária tentando se encaixar num mundo comum.

A importância da visão biopsicossocial na neuropsicologia

Como neuropsicóloga com formação clínica e abordagem biopsicossocial, afirmo com convicção que o cérebro não existe sem o corpo, nem sem o contexto. Nenhum diagnóstico pode ser feito de forma eficaz se o profissional não considerar as dimensões biológica, psicológica e social da vida do indivíduo.

A avaliação neuropsicológica, quando realizada com esse olhar ampliado, se transforma numa poderosa ferramenta de libertação. Não se trata apenas de identificar déficits, mas sim de compreender o funcionamento singular da mente de alguém que, muitas vezes, foi rotulado de “difícil”, “estranho” ou “problemático”.

O que está por trás de uma compulsão?

Muitas compulsões emocionais são formas de anestesia psíquica. O álcool, por exemplo, pode servir como tentativa desesperada de calar uma dor crônica, existencial, não nomeada. Uma “autoajuda química” para sobreviver ao incômodo de se sentir diferente, deslocado ou incompreendido.

É por isso que, ao aplicar testes e observar comportamentos, o neuropsicólogo ético e preparado vai além dos manuais. Ele investiga o que há por trás da queixa, buscando não apenas sintomas, mas significados.

Quantas pessoas vivem anos com diagnósticos errados, como depressão ou TDAH, quando, na verdade, carregam um potencial extraordinário que nunca foi reconhecido?

A mente que sofre pode ser, na verdade, uma mente brilhante

Whindersson não é um caso isolado. A história dele revela o quanto ainda precisamos educar a sociedade e os profissionais da saúde sobre o que é ser diferente. Alta sensibilidade, hiperatividade, hiperfoco, necessidade de sentido e tudo isso pode ser confundido com transtorno, quando na verdade é apenas a expressão de um funcionamento fora da curva.

Quando a sociedade exige que todos se encaixem no mesmo molde, o diferente sofre. Mas quando o neuropsicólogo entra em cena com escuta, técnica e empatia, a transformação começa: o alívio da dor dá lugar à descoberta de quem se é de verdade.

O desafio de enxergar além do sintoma

Em um mundo obcecado por diagnósticos rápidos e respostas prontas, é urgente que nós, profissionais da saúde mental, desaceleremos e resgatemos o verdadeiro papel clínico: compreender.

E se o sintoma for, na verdade, a única forma que aquela pessoa encontrou para se adaptar?

E se a compulsão for uma tentativa, ainda que disfuncional, de sobreviver ao que ninguém vê?

Ao entender isso, mudamos o foco: não aliviamos apenas a dor, ajudamos o indivíduo a se apropriar de sua potência, a se expressar de forma saudável e a viver o extraordinário que sempre esteve ali, esperando ser reconhecido. Por isso que eu humildemente digo aos meus alunos de Neuropsicologia e aso colegas neuropsicólogos que seguimos: “Desvendando mentes e transformando vidas”.

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